
Quem tem medo de gays? Você tem medo de gay? A palavra gay assusta, não? Eu me lembro de quando eu saquei que eu era... Ali, com meus 12 anos, percebendo que tinha alguma coisa de errado. Não. Errado não é a palavra. Eu percebi que tinha algo de diferente. A primeira reação foi negar e dormir, pra acordar querendo não ter pensado naquilo. Não. Não foi assim... O corpo ia crescendo junto com a mente, e quando eu parei pra me olhar, saquei que tava percebendo o que eu era.
Aí vinha aquilo: eu não sou gay. Eu tenho escolha! E tenho? Quer dizer que eu tô escolhendo um caminho que vai dificultar todas as áreas da minha vida? Acordei pensando “Hoje eu quero sofrimento”? Não. Eu não escolhi isso, não. Eu posso te dizer com firmeza, eu não escolhi isso, não. Eu não escolhi ter cabelos negros, não escolhi ter 1,88 m de altura, e não escolhi ser gay.
Meus pais dizem que eu sou divertido, espirituoso, orgulhoso, corajoso e mais uma centena de elogios. Mudou alguma coisa depois que eu contei? Continuei a mesma pessoa. Divertido, espirituoso, orgulhoso, corajoso e gay. Mudou alguma coisa? Ah! Mudou sim.
Ser gay me fez tolerante, por ter conhecido a intolerância, me fez paciente, por ter conhecido a impaciência, me fez olhar pras 500 visões que o mundo tem, justamente por sofrer na mão de quem olha através de uma única, e me fez amar em dobro, por saber a tristeza que é ser odiado de graça. Olha. Não mudou o amor dos meus pais por mim. Se mudou, só se foi pra maior.
Ah! Mas, os gays têm AIDS, e são promíscuos, e não terão famílias, e recrutam crianças para um mundo terrível. De fato. Tem muitos gays com AIDS, e heteros também. Tem muitos gays promíscuos, tem sim, ô se tem. Todo hetero conhece, namora e casa com uma mulher, ou um homem, apenas? Por que os problemas não são discutidos? E importa quem é promíscuo e quem tem AIDS? Não importa mais o fato de existir promiscuidade, ou não existir uma cura pra AIDS? Não importa mais resolver, educar todo mundo e não cooperar com o problema, em si?
Aquela pessoa que você demitiu, por não querer um homossexual por perto, era incompetente ou inadimplente? Ou era só uma pessoa capacitada, mas, homossexual?
O mundo é formado por uma noção de certo e errado externa. A gente aprende o que é certo ou errado, mas, não descobrimos. A gente cresce ouvindo que isso é certo, e isso é errado, mas, nós não paramos pra pensar no nosso certo e no nosso errado. O meu certo é que cada um tem direito de amar quem bem entender, ou de não ser obrigado a aceitar nada que não queira. Só que o meu errado implica em não respeitar o espaço do outro.
Você não precisa entrar num carro com seus seis amigos heteros e loucos por mulher, abrir o vidro e xingar aqueles dois meninos. Te fez mais homem? Te trouxe dinheiro pra pagar seus impostos ou curou alguma doença? Não? Então. Por quê? Seu julgamento é superior à provação deles com família, empregadores, religiosos? Você condena um homem que violentou outra pessoa, mas, se atira contra um casal homossexual. Qual a diferença? Sem aquele casal, ou sem os milhões de outros, o mundo deixaria de ser violento e cruel e, no momento, autodestrutivo? Eu acho que não.
O que você ensina pro seu filho, ou pro seu irmão? Você ensina que ser gay é errado, como se fosse uma escolha? E quando ele cresce e descobre que é? É justo privar essa pessoa de perguntar? Se conhecer? Saber quem amar? Você acha justo pedir pra alguém escolher entre a sua felicidade, ou a própria? Eu não acho justo. É. Ele pode ser um revoltado, ou pode querer te enfrentar, ou se assumir demais, para se defender. Certo. Ele faria isso, se tivesse tido um espaço pra conversar, sem ter que parar no seu quadrado de certo ou errado?
Se você não pensou em nada disso. Eu te pergunto agora, então. O que passa na sua cabeça quando você para seu mundo para atacar um homossexual? Parece, besteira, mas, respeite para ser respeitado. É gay e nem imagina o que se passa na sua vida, ou com seus problemas, mas, você é hetero e nem imagina o que se passa na vida dele, ou com os problemas dele. Empatou. Vive a sua vida, e pensa que cada minuto de ódio é um minuto perdido de amor.
Aí vinha aquilo: eu não sou gay. Eu tenho escolha! E tenho? Quer dizer que eu tô escolhendo um caminho que vai dificultar todas as áreas da minha vida? Acordei pensando “Hoje eu quero sofrimento”? Não. Eu não escolhi isso, não. Eu posso te dizer com firmeza, eu não escolhi isso, não. Eu não escolhi ter cabelos negros, não escolhi ter 1,88 m de altura, e não escolhi ser gay.
Meus pais dizem que eu sou divertido, espirituoso, orgulhoso, corajoso e mais uma centena de elogios. Mudou alguma coisa depois que eu contei? Continuei a mesma pessoa. Divertido, espirituoso, orgulhoso, corajoso e gay. Mudou alguma coisa? Ah! Mudou sim.
Ser gay me fez tolerante, por ter conhecido a intolerância, me fez paciente, por ter conhecido a impaciência, me fez olhar pras 500 visões que o mundo tem, justamente por sofrer na mão de quem olha através de uma única, e me fez amar em dobro, por saber a tristeza que é ser odiado de graça. Olha. Não mudou o amor dos meus pais por mim. Se mudou, só se foi pra maior.
Ah! Mas, os gays têm AIDS, e são promíscuos, e não terão famílias, e recrutam crianças para um mundo terrível. De fato. Tem muitos gays com AIDS, e heteros também. Tem muitos gays promíscuos, tem sim, ô se tem. Todo hetero conhece, namora e casa com uma mulher, ou um homem, apenas? Por que os problemas não são discutidos? E importa quem é promíscuo e quem tem AIDS? Não importa mais o fato de existir promiscuidade, ou não existir uma cura pra AIDS? Não importa mais resolver, educar todo mundo e não cooperar com o problema, em si?
Aquela pessoa que você demitiu, por não querer um homossexual por perto, era incompetente ou inadimplente? Ou era só uma pessoa capacitada, mas, homossexual?
O mundo é formado por uma noção de certo e errado externa. A gente aprende o que é certo ou errado, mas, não descobrimos. A gente cresce ouvindo que isso é certo, e isso é errado, mas, nós não paramos pra pensar no nosso certo e no nosso errado. O meu certo é que cada um tem direito de amar quem bem entender, ou de não ser obrigado a aceitar nada que não queira. Só que o meu errado implica em não respeitar o espaço do outro.
Você não precisa entrar num carro com seus seis amigos heteros e loucos por mulher, abrir o vidro e xingar aqueles dois meninos. Te fez mais homem? Te trouxe dinheiro pra pagar seus impostos ou curou alguma doença? Não? Então. Por quê? Seu julgamento é superior à provação deles com família, empregadores, religiosos? Você condena um homem que violentou outra pessoa, mas, se atira contra um casal homossexual. Qual a diferença? Sem aquele casal, ou sem os milhões de outros, o mundo deixaria de ser violento e cruel e, no momento, autodestrutivo? Eu acho que não.
O que você ensina pro seu filho, ou pro seu irmão? Você ensina que ser gay é errado, como se fosse uma escolha? E quando ele cresce e descobre que é? É justo privar essa pessoa de perguntar? Se conhecer? Saber quem amar? Você acha justo pedir pra alguém escolher entre a sua felicidade, ou a própria? Eu não acho justo. É. Ele pode ser um revoltado, ou pode querer te enfrentar, ou se assumir demais, para se defender. Certo. Ele faria isso, se tivesse tido um espaço pra conversar, sem ter que parar no seu quadrado de certo ou errado?
Se você não pensou em nada disso. Eu te pergunto agora, então. O que passa na sua cabeça quando você para seu mundo para atacar um homossexual? Parece, besteira, mas, respeite para ser respeitado. É gay e nem imagina o que se passa na sua vida, ou com seus problemas, mas, você é hetero e nem imagina o que se passa na vida dele, ou com os problemas dele. Empatou. Vive a sua vida, e pensa que cada minuto de ódio é um minuto perdido de amor.

Huheuhaehuaeuh. Se encaixa nas pessoas tolerantes e que valorizam o amor, acima de tudo <3.
ReplyDeleteÓtimo teu texto... parabéns
ReplyDelete"Vive a sua vida, e pensa que cada minuto de ódio, é um minuto perdido de amor."
ReplyDeleteBonito, bonito :) Belo texto, mas não sei se seria lido e compreendido pelas pessoas que realmente precisam lê-lo e compreendê-lo...
É. No fundo, a gente lê e entende o que a gente quer, mesmo, mas, antes falar e não ser ouvido, do que não falar. Palavra tem poder, e água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
ReplyDeleteUm dos teus melhores textos!!!
ReplyDeleteNoossa véio, ficou muito show o post. É uma pena que a maioria dos heteros nao entendam, mas ser gay só muda o sexo da pessoa que está se relacionando. Afinal, somos todos iguais perante a lei, or not?
ReplyDeleteThis comment has been removed by the author.
ReplyDelete! Muito bom o texto...
ReplyDeleteQuem me dera se todo mundo pudesse amar sem ser recriminado ou ser tido como aberração.
Quando entupir chame a desentupidora Esgotecnica
ReplyDeleteAdorei o texto, de verdade! Eu sou hetero, mas não tenho nenhum tipo de preconceito ou ódio por gays, na verdade os admiro muito, pela coragem de enfrentar o "mundo" que os julga sem ao menos se colocar no lugar de vocês, sem tentar compreender. Todos nós somos pessoas e nos apaixonamos por pessoas, independente se essa pessoa for homem ou mulher, isso não deveria importar não é? Afinal, nós não escolhemos a quem amar. Não deveria existir um jeito "certo" ou "errado" de amar.
ReplyDeleteSerá que para as pessoas serem assim elas precisam, todas, sofrerem o preconceito?
ReplyDelete