
E assim, sem mais nem menos, minha casa caiu. Eu olhei para o que restou, suspirei e peguei algumas placas de madeira que sustentavam qualquer parede. Juntei tudo e amarrei com as redes da varanda. Com qualquer suporte, montei um mastro e prendi com as cortinas ridículas da sala pra fazer uma vela. Desmontei aquele abajur imbecil com um anjo segurando uma lâmpada e o coloquei na ponta do meu barquinho. Com um aro de bicicleta e alguns apetrechos de cozinha, eu tinha meu leme. Finalmente, com uma camiseta velha com uma grande caveira branca estampada, eu tinha minha bandeira.
Empurrei pra água e fui. Nunca tinha percebido como o mar é gigante. Bom, não era bem uma linha reta, então eu não sabia exatamente pra onde seguir, só segui. O vento empurrou e aquelas cortinas horríveis e eu estava içado contra aquele oceano. E eu vi muita coisa. Eu vi os golfinhos pulando, enquanto as gaivotas caçavam os restos de comida que os tubarões deixavam. Posso jurar ter visto algumas tartarugas cantando e arrastando um homem bêbado com uma pistola na mão. Eu desviei meu barquinho dos tentáculos gigantescos de uma Lula do tamanho de um prédio!
Eu ouvi o canto das sereias e tive que me amarrar no meu mastro para não cair, encantado, na água. Eu vi as harpias levando os navegantes menos espertos para o mundo dos mortos. Eu vi rodamoinhos e vi as velhas bruxas do mar chorando a própria cegueira. Eu vi Poseidon seduzindo as moças bobinhas de uma praia qualquer. Eu descobri que o mundo estava muito além da minha casa da ilha, e de toda aquela segurança que eu achava que tinha.
Eu enfrentei a deusa tempestade. Ela me encheu de medo e incendiou minha vela com um trovão certeiro. Eu deitei contra o barco e remei com uma porta de armário que tinha esquecido ali, quando construí o barco. Eu vi os fantasmas de velhos capitães rindo e me convidando para o outro mundo, e eu neguei o convite. Remei e remei e, eu senti o suspiro da tempestade, que soube quando parar. Eu vi a carruagem do cocheiro do sol trazer o dia, e vi os raios brancos atravessando as nuvens negras.
Eu sorri e deitei aliviado. Parei em uma ilha qualquer e tratei de reconstruir minhas velas. E voltei ao mar. E assim tem sido minha vida, uma vida de marinheiro. E foi assim que descobri que meu coração nunca gostou de casas em ilhas. Ele gosta mesmo é do mar, e todas as coisas boas que meu coração pode contar foi o mar quem deu. E assim eu vou, e a deusa tempestade está lá, esperando pra tentar me afundar, de novo, e tem quinhentos outros bichos com quinhentas outras cabeças por aí: melhor enfrentar do que afundar. Mas, no momento, eu queria mesmo era um acordeon para tocar (ou tentar, pelo menos).
Empurrei pra água e fui. Nunca tinha percebido como o mar é gigante. Bom, não era bem uma linha reta, então eu não sabia exatamente pra onde seguir, só segui. O vento empurrou e aquelas cortinas horríveis e eu estava içado contra aquele oceano. E eu vi muita coisa. Eu vi os golfinhos pulando, enquanto as gaivotas caçavam os restos de comida que os tubarões deixavam. Posso jurar ter visto algumas tartarugas cantando e arrastando um homem bêbado com uma pistola na mão. Eu desviei meu barquinho dos tentáculos gigantescos de uma Lula do tamanho de um prédio!
Eu ouvi o canto das sereias e tive que me amarrar no meu mastro para não cair, encantado, na água. Eu vi as harpias levando os navegantes menos espertos para o mundo dos mortos. Eu vi rodamoinhos e vi as velhas bruxas do mar chorando a própria cegueira. Eu vi Poseidon seduzindo as moças bobinhas de uma praia qualquer. Eu descobri que o mundo estava muito além da minha casa da ilha, e de toda aquela segurança que eu achava que tinha.
Eu enfrentei a deusa tempestade. Ela me encheu de medo e incendiou minha vela com um trovão certeiro. Eu deitei contra o barco e remei com uma porta de armário que tinha esquecido ali, quando construí o barco. Eu vi os fantasmas de velhos capitães rindo e me convidando para o outro mundo, e eu neguei o convite. Remei e remei e, eu senti o suspiro da tempestade, que soube quando parar. Eu vi a carruagem do cocheiro do sol trazer o dia, e vi os raios brancos atravessando as nuvens negras.
Eu sorri e deitei aliviado. Parei em uma ilha qualquer e tratei de reconstruir minhas velas. E voltei ao mar. E assim tem sido minha vida, uma vida de marinheiro. E foi assim que descobri que meu coração nunca gostou de casas em ilhas. Ele gosta mesmo é do mar, e todas as coisas boas que meu coração pode contar foi o mar quem deu. E assim eu vou, e a deusa tempestade está lá, esperando pra tentar me afundar, de novo, e tem quinhentos outros bichos com quinhentas outras cabeças por aí: melhor enfrentar do que afundar. Mas, no momento, eu queria mesmo era um acordeon para tocar (ou tentar, pelo menos).

qual o material que vc usou pra reconstruir as velas...ou era uma vela soh?
ReplyDeleteQue mané acordeon,um verdadeiro marinheiro se contenta em ouvir o som do mar *_*
Ta,ta eu brisei xD
Post LINDO fran,vc escreve muito xD.
bju
PH